Com a vitória do candidato republicano Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, ocorrida em 05 de novembro de 2024, já era possível prever uma mudança importante no modus operandi do imperialismo estadunidense (Schutte, 2025; Braun, 2025). Dentre outras medidas, Trump anunciou em seu discurso de posse, em 20 de janeiro de 2025, que promoveria deportações em massa de imigrantes e o desmonte de políticas de diversidade, além de estabelecer um aumento agressivo de impostos e taxação sobre importações de países estrangeiros, de conceder perdão aos envolvidos na invasão ao Capitólio em 2021 e decretar a saída dos Estados Unidos do acordo de Paris. Tudo isso (e muito mais) representava o que Trump caracterizava como o início de uma “era de ouro dos Estados Unidos”.
Desde então, no âmbito geopolítico, a administração de Donald Trump - sustentada por seu “nacionalismo agressivo” e unilateral - tem sido marcada pela imposição de tarifaços, sanções unilaterais e tentativas de se impor como mediador de conflitos internacionais (Moura, 2026). Além disso, Trump também tem se notabilizado por um discurso ameaçador, anunciando planos e projetos (imperialistas) baseados em ameaças territoriais e ofensivas militares como anexar o Canal do Panamá, tomar o controle de Gaza, anexar a Groenlândia e intervir na soberania da Venezuela.
Especificamente, em relação à América Latina, Trump intensificou sua retórica (e prática) de confronto sob o pretexto de combate ao narcotráfico e, nesse sentido, justificou suas ações militares de bombardeio contra a Venezuela e posterior captura do presidente Nicolás Maduro sob uma acusação de que este seria o chefe do Cartel de los Soles. “A ofensiva incluiu bloqueio marítimo, apreensão de petroleiros e aumento expressivo da presença militar no Caribe. Colômbia e outros vizinhos também entraram na mira” (Moura, 2026). No entanto, o objetivo da invasão à Venezuela e do atentado contra a soberania do povo venezuelano se fundamentou no interesse estratégico dos EUA pelas reservas petrolíferas daquele país que, inclusive, detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. (Faria, 2025; Montanini, 2026).
Nesse sentido, o objetivo para esta comunicação é caracterizar a ofensiva imperialista do governo Trump, particularmente, contra a Venezuela, por meio de uma análise da produção chárgica veiculada pela mídia alternativa digital brasileira. Portais como Brasil de Fato, Brasil 247, Portal Vermelho, dentre outros, utilizaram a charge como estratégia comunicativa para caracterizar o ímpeto imperialista dos Estados Unidos, de modo geral, e do governo Trump, de modo particular, bem como para explicitar e denunciar os verdadeiros objetivos de Trump em invadir a Venezuela.
Por meio da metodologia da análise do discurso chárgico (Miani, 2023) - ou seja, explorando os aspectos discursivos verbo-visuais presentes em cada uma das charges selecionadas, a partir de sua contextualização e ancoragem histórico-conjuntural - será possível compreender os efeitos de sentido pretendidos pelos chargistas com o uso de elementos simbólicos representativos do ideário estadunidense, bem como identificar as características imperialistas praticadas pelo governo Trump.
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Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
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Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)